Pesquisadoras da Unioeste identificam padrões da Fake Science
Devido a facilidade de criação e divulgação de conteúdo por meio da internet, as Fake News tornaram-se um grande problema para a sociedade contemporânea. Difíceis de evitar, as notícias falsas se alastraram entre as redes sociais e os grupos de mensagens. Agora, um novo fenômeno virou motivo de estudo: a Fake Science. Essa prática é caracterizada por artigos ou informações científicas, muitas vezes publicadas, que contém afirmações inverídicas e que acabam divulgadas como sendo de cunho científico. A fim de analisar essa situação, duas pesquisadoras da Universidade Estadual do Oeste do Paraná estudaram diversos casos e publicaram um artigo sobre o assunto.
Desde o início de 2019, a pesquisadora e professora do curso de Química da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, campus de Toledo, Marcia Borin, começou a observar a aparição de informações vendidas como científicas, mas com informações falsas. Entre o final daquele ano e o início de 2020, ela observou um aumento exponencial na divulgação de Fake Science, principalmente no que dizia respeito ao, até então, novo coronavírus. Marcia, como educadora, preocupava-se com o efeito que a veiculação dessas informações inverossímeis pudesse ter dentro da sala de aula. “Qualquer informação científica forma ideias e percepções presentes na sociedade. E existem reflexos dentro da escola, quando essas informações inverídicas trazem aspectos e informações que não são conceitos científicos aceitos”, afirmou.
Para criar um acervo de Fake Science, a professora Marcia Borin solicitou aos colegas e conhecidos que lhe enviassem todo tipo de mensagem ou conteúdo encontrado na internet que apresentasse informações falsas ou minimamente duvidosas. Com a ajuda dos conhecidos, foi possível criar um grande banco de dados, fator que possibilitou a análise dos padrões encontrados nas mensagens com Fake Science. “Nas mensagens, nós começamos a identificar que existiam semelhanças entre elas, que alguns componentes se repetiam”, informou. Esse entendimento sobre o padrão de formato das mensagens com informações científicas falsas é benéfico para que os receptores possam identificar rapidamente uma Fake Science.
A pesquisadora Vanessa Ron Jen Chang, acadêmica do curso de Química do campus de Toledo, iniciou seus trabalhos enquanto a pesquisa estava em andamento, mas teve uma grande importância para os resultados obtidos. O principal trabalho de Vanessa foi transcrever alguns vídeos, caracterizando expressões e técnicas de comunicação (como tom de voz e expressões faciais) utilizadas pelos locutores dos vídeos observados. Com tudo no papel, foi possível observar os padrões existentes em uma mensagem que carregava consigo informações científicas inverídicas. “Concluímos que as principais características de uma Fake Science nos vídeos são: altos índices de afetividade, credibilidade, informação falsa; contém também algumas informações verdadeiras, uma receita simples e um pedido para compartilhamento”, ressaltou.
A fim de evitar a propagação desse tipo de informação, a professora Marcia Borin diz que é essencial a adoção de práticas de identificação de uma Fake Science desde a escola, para que os alunos sejam educados a lutar contra essa prática. “É preciso que seja levado à escola atividades de letramento informacional e midiática, para mostrar aos jovens quanto a mídia está presente em nossas vidas e como existem coisas boas e ruins nela. Um aluno percebendo que uma notícia não é verdadeira, podendo para a cadeia de transmissão dessa mensagem”, salientou.